terça-feira, 26 de outubro de 2010

'Milícia é monstro que tomou conta do Rio', diz autor de Cidade de Deus




‘A polícia corrupta e violenta sempre esteve nas favelas’, afirma Paulo Lins.
Escritor espera que, com UPPs, polícia passe a agir com mais inteligência.
Aluizio Freire
Do G1 RJ


Lins afirma que é preciso acabar com a grande
circulação de armas ilegais no país
(Foto: Divulgação)Eufórico com a notícia de que o filme “Cidade de Deus”, baseado em seu romance, ocupa o sexto lugar em uma lista dos 25 melhores filmes de ação de todos os tempos, conforme divulgado terça-feira (19) pelo diário britânico "The Guardian", o escritor Paulo Lins diz que se sente recompensado por sua obra ter conquistado tamanha dimensão, jogando luz sobre a miséria, a criminalidade e a falta de oportunidades para os jovens das favelas.

Ele fala ainda do projeto de pacificação do governo do estado, as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), cuja favela Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio, onde cresceu, foi uma das primeiras contempladas.

Lamenta, no entanto, que tantos inocentes continuem sendo mortos na guerra do narcotráfico nas favelas do Rio. Morando atualmente em São Paulo, Paulo Lins dedica-se a seu novo projeto, o roteiro para o filme “Faroeste Caboclo”, inspirado na letra da música de mesmo nome do grupo Legião Urbana.

Lins, hoje um respeitado escritor, além de poeta, professor, roteirista de televisão e de filmes como “Quase 2 Irmãos” e “Orfeu”, espera que a ocupação dos morros e favelas pela polícia traga à reboque oportunidades para os jovens, que dizem encontrar no tráfico a única alternativa de trabalho.

saiba mais

Testemunhas revelam o terror das milícias no RioO romance “Cidade de Deus”, lançado em 1997, virou filme pelas mãos do diretor Fernando Meirelles e transformou-se num grande sucesso no Brasil e no exterior. O longa-metragem brasileiro de 2002 ainda recebeu quatro indicações ao Oscar.

A ideia do livro surgiu do contato de Paulo Lins com a comunidade, o que facilitou seu trabalho antropológico sobre a criminalidade e as condições em que vivem os moradores das favelas. Foram oito anos de pesquisa.

Sob seu olhar, de morador da favela, Lins mostra como surgiu o tráfico de drogas, os pequenos furtos da década de 1960 até o avanço da criminalidade, com a formação das quadrilhas fortemente armadas e os confrontos com a polícia.

O que você tem percebido em relação ao projeto das UPPs?
- As ocupações são necessárias, mas na verdade nunca faltou polícia na favela. E só não funcionava porque existe esse crime de corrupção no judiciário, no legislativo e no executivo misturado ao racismo, pobreza e a falta de instrução há muito tempo no Brasil. A polícia e os professores sempre estiveram presentes na favela, porém os professores sem os recursos necessários e a polícia de modo corrupto e violento.

Nos últimos anos o número de armas ilegais cresceu sistematicamente em todo território. Eu não sei como e nem o porquê, mas as autoridades devem uma explicação à sociedade sobre esse fenômeno dentro desse país que sempre foi violento, sobretudo com os negros e os mais pobres.

Precisa ser uma discussão séria e não eleitoreira sobre a população armada no país. A gente tem que retirar de circulação esse monte de armas que às vezes vão parar nas mãos de nossas crianças. E imediatamente parar o comércio de armas e munição.

Mas já existe um clima de mais segurança nas comunidades com a presença das UPPs e a expulsão dos traficantes armados.
- É claro que os lugares onde mora o povo pobre deve haver segurança como existe onde mora o povo com mais poder aquisitivo. A questão é a recuperação dos jovens envolvidos na criminalidade. Esse é o grande trabalho que o Estado deve fazer. E para isso, tem que transformar as cadeias num centro formador, num lugar de produção, de ensino, de aprendizado.

Muita gente morreu nos confrontos no início do governo do Sérgio Cabral, inclusive inocentes, e na Cidade de Deus não foi diferente. Alguns amigos me falaram que mataram pessoas rendidas. Isso é execução. E no Brasil não tem pena de morte. As cadeias no Brasil continuam sendo faculdade do crime. O sujeito vai preso e sai mais perigoso. Isso beira a tolice, é como criar cobra. Agora eu não sei por que a população toda não abraça a escola e a saúde pública.


Cena do filme "Cidade de Deus" (Foto: Divulgação)

O outro inimigo são as milícias. Você acredita que será possível combater esses grupos formados em sua essência por policiais corruptos?
- Não se pode esquecer que as milícias não são um fato novo em nossa realidade. Antes mesmo da milícia “Mão Branca”, na Baixada
Fluminense, que essa relação de micros comerciantes e outros homens de pequeno poder - policiais, guardas penitenciários, bombeiros e militares - surgiu entre nós.

Foi de acordos para “limpar a área” que as milícias nasceram há cerca de quarenta anos atrás. E seria bom colocar em pauta a segurança
privada que também é uma espécie de milícia e já tivemos vários crimes com pessoas que atuam nesse serviço. Geralmente é o mesmo tipo de gente que atua nas milícias.

Em Rio das Pedras (favela em Jacarepaguá), reduto da antiga “Polícia Mineira” que as milícias ganharam força e se espalharam por toda Zona Oeste. E, pasmem, com apoio ou vista grossa de todos os governos e de uma parcela da sociedade.

Hoje é esse monstro que tomou conta do Rio de Janeiro. Só espero que a polícia aja sempre com mais inteligência e menos violência no combate ao crime em nossa cidade.

Você esperava que seu livro alcançasse tamanha repercussão, até no exterior?
- Não, nunca pensei nisso e nem escrevi pensando no alcance da obra. A minha questão era fazer uma literatura com base no trabalho de Alba Zaluar (antropóloga). Era um projeto muito mais acadêmico, laboratorial, pesquisa científica na universidade. A gente estava experimentando nesse casamento de antropologia e literatura. Eu queria reconstruir a linguagem que se falava nas ruas, que eu falava e também tinha a possibilidade de inventar palavras. Era isso que me excitava mais. Estava muito ligado em Guimarães Rosa, Sousândrade (Joaquim de Sousa Andrade, escritor), Leminski (Paulo, poeta) e ao mesmo tempo estava lendo os historiadores franceses, os filósofos alemães, enfim era uma época de muito debate na poesia, na prosa e nas ciências sociais.

Você acredita que seu trabalho ajudou a chamar a atenção do poder público para as questões sociais nas comunidades ?
- O que é mais importante é que “Cidade de Deus” provocou uma avalanche de trabalho com essa linguagem e tema. Tanto na literatura, cinema, teatro, música e televisão, provocando um imenso debate na sociedade que até então tinha uma visão muito estreita sobre racismo, analfabetismo, violência urbana, tráfico de drogas e pobreza.

Era isso que na verdade eu queria: jogar luz nessa miséria. A gente tem que entender que tudo que está no “Cidade de Deus” estava já nos jornais, no rádio e na televisão todos os dias. A diferença é que no livro tinha arte e sentimento e é essa a razão desse debate todo. Minha preocupação era mesmo esse fórum que se instaurou.

Por que você saiu de Cidade de Deus?
- Eu me mudei para perto do Centro, onde estão os teatros, os museus, as bibliotecas, os arquivos. Queria morar mais perto do trabalho. Isso há mais de vinte anos, antes mesmo de publicar o livro. Eu dava aula no Centro do Rio nessa época.

Como está o projeto do filme “Faroeste Caboclo”?
- Vamos filmar ano que vem. Já temos o dinheiro todo para filmar. Este mês o diretor René Sampaio passa a trabalhar já na construção do filme. O roteiro agora está com Marcos Bernstein. No momento, estou terminando o meu novo romance sobre o nascimento das escolas de samba na Cidade do Rio de Janeiro.Cena do filme "Cidade de Deus" (Foto: Divulgação)

Passeata contra a violência lembra a morte de estudante de Piracicaba

Jovem de 21 anos foi assassinada em Três Rios (RJ), onde estudava Direito

26/10/2010 - 07:10

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Amigos e familiares da estudante de Piracicaba Jéssica Phillipp Giusti, de 21 anos, que morreu assassinada em Três Rios (RJ) há uma semana, fizeram uma passeata pela paz e contra a violência, na noite de segunda-feira (25).

Pelo menos cem pessoas se reuniram na Praça José Bonifácio, no centro de Piracicaba, e iniciaram uma caminhada até a Câmara de Vereadores.

Os pais, parentes e amigos participaram da manifestação como forma de pressionar o município a cobrar das autoridades de Três Rios uma solução para o crime.

Os vereadores de Piracicaba fizeram uma carta-apelo que será enviada para autoridades do Rio de Janeiro - o governador, o secretário de Segurança, o prefeito de Três Rios e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Os vereadores vão formar uma comissão para acompanhar as investigações da polícia.

Crime

A estudante Jessica Phillipp foi assassinada na madrugada de segunda-feira (18) em Três Rios (RJ), onde cursava Direito na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

A Polícia Civil fluminense analisa imagens do circuito interno de Terminal Rodoviário Arsonval Macedo para tentar identificar o assassino da estudante de Piracicaba. Segundo a delegada responsável pelo inquérito, Cláudia Teresa Abbudy, a estudante teria desembarcado na rodoviária por volta das 5h do dia 18 de outubro, com uma mala. O pai da vítima, Ângelo Tadeu Giusti, disse que ela voltava de Piracicaba, onde visitou amigos e familiares. A bolsa de viagem da jovem foi encontrada perto do corpo, que estava com um corte profundo na cabeça.

Ainda segundo a delegada, nenhuma hipótese de crime está descartada, mas a policial adiantou que ela não foi vítima de abuso sexual. Pessoas próximas à estudante já começaram a ser ouvidas. O pai da jovem disse que os assassinos levaram dinheiro da carteira e também o celular da vítima, o que caracteriza latrocínio - roubo seguido de morte.

O corpo de Jéssica foi sepultado na tarde da última quarta-feira (20) no Cemitério da Saudade de Piracicaba. Durante o velório, familiares e amigos estavam inconformados. Amigos de Jéssica Giusti, que identificaram o corpo em Três Rios, foram para Piracicaba e levaram uma faixa em luto à violência cometida contra a amiga.


Familiares participam de missa de 7º dia de estudante morta no RJ

sábado, 23 de outubro de 2010

Arrastão diário

Rodrigo Pimentel fala sobre arrastões, nova modalidade de crime no Rio
Ele explica que os números de assaltos estão diminuindo na cidade, mas surgiu uma nova modalidade do crime: o arrastão.


A Linha Vermelha é uma importante via de acesso e circulação do Rio de Janeiro - e um pesadelo para muitos motoristas por causa da violência. Na quinta-feira à noite, houve mais um tiroteio.

O comentarista de segurança da Globo Rodrigo Pimentel fala sobre os últimos casos de violência nas ruas do Rio de Janeiro. Ele explica que os números de assaltos estão diminuindo na cidade, mas surgiu uma nova modalidade do crime: o arrastão.

“A polícia não estava preparada para isso, demorou a reconhecer. Todo o foco da polícia do Rio de Janeiro, hoje, é na pacificação de favelas”, explica Rodrigo Pimentel, comentarista de segurança pública.

Ele destaca que é importante manter a calma. “O passageiro tem que manter a calma e não reagir. Em 80% dos casos de reação, o bandido dispara contra a vítima. Não reagir é mais correto”, aponta.

Essa nova modalidade de crime surgiu após o processo de pacificação das favelas. É uma resposta a essa ação. “Mas é importante reforçar que o número de assaltos está caindo no Rio”, conclui Pimentel.


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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

MEDO!!!!

Hoje o Rio de janeiro que já

Sobe para 15 o número de arrastões na cidade do Rio


A Polícia Militar promete reforçar a segurança nas ruas

Do R7, com Rede Record, no Rio 19/10/2010 às 22h02

O arrastão do Humaitá, zona sul do Rio de Janeiro, na noite de segunda-feira (18) elevou para 15 o número de ataques de bandidos armados a motoristas cariocas. Todos os casos aconteceram nas duas últimas semanas.
A Polícia Militar promete reforçar a segurança nas ruas. Os criminosos preferem os lugares desertos e com pouca iluminação. Eles roubam as chaves de alguns motoristas e fecham o trânsito. Com isso, os bandidos saqueiam as vítimas e dificultam a chegada da polícia nos local.
Não houve tiroteio no arrastão da rua Maria Eugênia, no Humaitá, zona sul do Rio. Dois funcionários do consulado da Espanha estavam entre as vítimas. Os bandidos levaram carteiras, celulares, chaves de automóveis e outros pertences.

É um arrastão por dia, a segurança no Rio de Janeiro não existe.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Jovem Pan: Granada é usada em mais um arrastão no RJ

Jovem Pan: Granada é usada em mais um arrastão no RJ

Funk Carioca Invadiu o Brasil

Tim Lopes, morreu fazendo reportagem para a Rede Globo sobre os bailes Funk´s, nesses bailes tinha desde drogas até pedofilia. Morreu queimado no famoso Microondas, onde os bandidos colocavam as pessoas dentro de pneus a ateavam fogo.

Os bailes funk´s não tem nada de cultural, nos bailes é para divulgar sexo, droga e violência e este ritmo se espalhou pelo Brasil denegrindo a imagem do Brasil no mundo.
Hoje os jovens andam com carros com muitos alto falantes com essas músicas no último volume e esses jovens aproveitam para andar em altas velocidades provocando acidentes e brigas devido ao ritmo e o volume altíssimo dessas músicas que só falam em drogras, violências e sexo.
Valter Ferreira
Tenho 44 anos de idade e foi ao Rio de Janeiro uma única vez, fiquei lá por aproximadamente 2 horas, e esse tempo foi suficiente para deixar claro que esta cidade não é a cidade maravilhosa que todos falam.
Hoje o Rio vive um momento de extrema violência, morte, roubos e total insegurança.
Até quando os Cariocas irão viver esta violência toda?

Valter Ferreira

Rio

Sem palavras as imagens diz tudo